Stranger Things 5ª temporada episódio 8 o final

O final decepciona, evita riscos e encerra a série sem impacto emocional real

O oitavo episódio da quinta temporada de Stranger Things marca o encerramento definitivo da série após quase uma década acompanhando Hawkins, o Mundo Invertido e um grupo de personagens que virou símbolo da cultura pop. A promessa era de um final grandioso e emocionalmente pesado, com consequências à altura do que foi construído ao longo dos anos. Só que, apesar do tamanho do espetáculo, o desfecho soa seguro demais — e é justamente isso que torna o episódio frustrante.

Desde os primeiros minutos, a história tenta acelerar o coração do público: os militares se mobilizam, o grupo se aproxima do confronto final e a sensação de “agora vai” domina a narrativa. O problema é que, conforme o episódio avança, fica cada vez mais evidente que a série evita qualquer risco real, preferindo soluções convenientes e retornos previsíveis.


O cerco militar e a missão no laboratório

Murray, Kali, Onze e Hopper saem do caminhão e se preparam para entrar no laboratório, mas percebem rapidamente que não estão sozinhos. Um grupo dissidente das forças armadas decide capturar Onze, convencido de que a Dra. Kay — movida por um complexo de superioridade — atrapalhará a operação. A premissa parece promissora, pois poderia introduzir conflito humano em meio ao caos sobrenatural, mas acaba funcionando apenas como um obstáculo passageiro.

Hopper, relutante, prepara Onze para entrar no tanque e voltar ao Abismo. Mesmo desconfiado, ele decide confiar nela, reconhecendo a experiência que ela já tem com esse tipo de travessia. Em paralelo, o Sr. Clarke surge como reforço na vigilância ao lado de Erica, e os dois avistam a aproximação da Dra. Kay e seus comparsas.


A torre de rádio e o acerto emocional entre Mike e Will

Enquanto o quarteto age no laboratório, o restante do grupo segue para a torre de rádio do Mundo Invertido. Todos vão, exceto Max e Vickie, que retornam ao mundo real. A escalada da torre vira palco para uma conversa significativa: Mike e Will finalmente colocam em palavras o que estava preso há tempo. Mike pede desculpas por ter sido egocêntrico e por não ter ajudado Will quando ele mais precisava, numa tentativa de reparar a amizade.

Essa cena tem valor emocional, mas também carrega um problema recorrente da temporada: ela revisita conflitos que a série já havia explorado antes, dando a sensação de repetição em vez de fechamento.


O palácio mental de Vecna e a corrida contra o tempo

De volta ao mundo real, Max entra em convulsões e acaba “caminhando” por uma visão. Logo fica claro que tudo é obra de Onze e Kali, que planejam entrar na mente de Vecna junto com Max, formando um trio. As memórias puxam para Henry Creel e revelam detalhes inesperados, incluindo o fato de Hopper e Joyce terem sido colegas de turma de Henry — algo que, apesar de interessante, surge tarde e sem impacto prático.

Ao mesmo tempo, os militares cercam a torre, forçando Vickie a esconder Max em um local improvisado. O tempo vira fator crucial, porque o Abismo começa a se fechar, ameaçando desabar sobre o Mundo Invertido. Mesmo com a torre sendo destruída, Onze, Kali e Max conseguem chegar ao palácio mental de Vecna e iniciam o confronto.


O feitiço se quebra e Hopper comete o erro decisivo

Com o Abismo temporariamente estabilizado, Nancy e o grupo atravessam o portal para deter Vecna, que está escondido em uma das cavernas com as crianças. A localização é óbvia pelos tentáculos e cipós espalhados. Max usa os poderes de Kali para esconder as crianças, enquanto Onze fica para trás, provocando Creel na tentativa de provar que ele é o monstro e quebrar o feitiço.

A situação se complica quando Vecna entra na mente de Kali e usa isso para atacar Hopper, trazendo de volta a imagem traumática de sua filha morta e a ideia de que Onze precisaria se sacrificar. O desespero faz Hopper cometer o erro decisivo: ele danifica o tanque ao acreditar que havia atirado em Onze — o que não era verdade — e isso os joga para fora do Abismo. Max retorna à cadeira de rodas bem a tempo de a Dra. Kay e seus homens chegarem.


A caixa misteriosa e a origem dos poderes de Henry

O episódio finalmente revela o conteúdo da caixa: um fragmento de rocha brilhante ligado ao Devorador de Mentes. A implicação é direta: Henry não nasceu com seus poderes, ele foi manipulado desde cedo, controlado por uma entidade superior. Isso ajuda a explicar por que o Devorador de Mentes não quer Henry na caverna e por que tenta impedir que Will recupere certas lembranças: Henry era apenas um receptáculo, como Will foi no passado.

Essa reviravolta amplia a mitologia, mas também enfraquece Vecna como vilão principal, já que ele passa a parecer menos uma ameaça suprema e mais um intermediário trágico.


A batalha final e a derrota do Devorador de Mentes

Onze decide usar sua nova habilidade de salto para chegar ao Abismo e alcança os demais bem a tempo: o Devorador de Mentes aparece em sua forma mais monstruosa, maior do que tudo o que a série já mostrou, incluindo o confronto no shopping Starcourt. A conexão entre Henry e a criatura é apresentada como praticamente total, com a caverna localizada no “coração” do monstro.

A luta acontece em duas frentes. Dentro da criatura, Onze enfrenta Vecna. Do lado de fora, o grupo tenta enfraquecer o Devorador de Mentes por todos os lados. Nancy assume o papel de líder e isca, mas quando parece prestes a morrer, Jonathan surge com um lança-chamas e enfraquece a criatura — uma solução que ressalta outro problema: a série demora demais para usar uma fraqueza conhecida há episódios.

No fim, a criatura cai, Nancy resgata Holly e os demais libertam as crianças. Vecna, empalado, engasga até o último suspiro, até Joyce dar o golpe final e decapitar o vilão.


O “sacrifício” de Onze e o gancho para interpretação

Todos voltam para o portal — mas a Dra. Kay e seus homens estão esperando do outro lado. Só que Onze não aparece. Ela permanece no Mundo Invertido para completar o plano de Kali. Após uma despedida para Mike e uma montagem de momentos do casal, o grupo assiste à explosão que atinge a matéria exótica, desencadeando uma reação em cadeia que destrói o Mundo Invertido. Tudo indica que Onze morre e que o portão desaparece de vez.


O epílogo de 18 meses e a passagem do bastão

O episódio avança 18 meses. Robin está no rádio explicando a situação de Hawkins, agora livre de quarentena e com os militares já fora da cidade. Steve virou treinador de beisebol. O grupo do ensino médio se formou e está prestes a receber os diplomas. Max não está mais na cadeira de rodas e parece totalmente recuperada, enquanto Mike continua abatido pelo que aconteceu com Onze.

Hopper conversa com Mike e o encoraja a não se entregar à tristeza e ao desespero, reconhecendo traços de si mesmo no garoto. Em outra frente, Nancy consegue um emprego no Herald, e os laços entre os personagens seguem firmes, apesar de tudo.

O arco romântico também se encerra: Hopper e Joyce saem para jantar e ele a pede em casamento, sinalizando um passo definitivo depois de anos de tensão emocional e memórias do passado.

Análise do Final da Série

Para uma série que durou 10 anos, este final realmente mostra o quão ruins os irmãos Duffer são como roteiristas. Ficou claro que a primeira temporada (e talvez a quarta também) são casos isolados e não representam o estilo de escrita deles como um todo. Quando têm tanta liberdade criativa, eles claramente não sabem como construir ou desenvolver arcos narrativos convincentes.

No episódio final, não há literalmente nenhum risco ou consequência além do óbvio caso da perda de Kali (ai, não!) e do sacrifício de Onze… e seu retorno. De novo. Sabíamos que os irmãos Duffer teriam medo de arriscar, mas mesmo agora, é bastante desconcertante que eles insistam em reciclar os mesmos arcos de personagens que já vimos antes.

Onze se sacrificou na primeira temporada e retornou em segredo. Esta é basicamente a mesma história, mas com etapas adicionais. Pelo menos se acreditarmos que a visão de Mike está correta, e não há razão para que não esteja. Onze estava naquele caminhão quando eles partiram e, certamente, se ela tivesse pulado (sentada no meio de todos), os outros a teriam visto sair. 

Mas além disso, e talvez ainda mais preocupante, é o fato de nenhum dos membros do grupo morrer pelas mãos do Devorador de Mentes ou de Vecna, que se mostram tão úteis quanto o Rei da Noite em Game of Thrones.

Vecna ​​é constantemente enganado e ridicularizado por um garoto do ensino fundamental, o que mina qualquer tensão ou perigo que ele pudesse representar. Os irmãos Duffer tentam seguir a linha do “antagonista incompreendido” no final, mas não funciona. No geral, é um vilão desastroso.

O epílogo estendido é provavelmente uma das melhores partes da temporada, mas ainda assim está cheio de problemas. Imagino que Dustin não esteja com Suzie e, apesar de ter salvado o mundo duas vezes, vamos simplesmente ignorar isso.

Karen e Ted Wheeler estão bem e não sofreram nenhum trauma do encontro com o Demogorgon, enquanto os pais de Derek não foram encontrados no celeiro e morreram. Brincadeira, mas é bem curioso que não tenhamos uma resolução para isso, nem seja mencionado novamente.

Os militares são completamente inúteis, não temos nenhum desfecho para a história da Dra. Kay, e o passado de Creel levanta mais perguntas do que respostas. Se você não assistiu à peça de teatro, os momentos que mostram as memórias de infância de Henry serão extremamente confusos, e a ligação com o dia 6 de novembro foi pura coincidência, não um segmento importante para incluir na trama.

Joyce e Hopper nunca contam a ninguém sobre sua ligação com Henry, e Max também permanece estranhamente quieta durante todo esse período. Como você deve se lembrar, Max tem um conhecimento íntimo de Creel devido ao tempo que passou no Mundo Invertido na quarta temporada.

Este final é preguiçoso, cheio de artifícios de roteiro e soluções convenientes, tudo para tentar agradar a um público maior. Embora eu não esteja pedindo por mortes no nível do Casamento Vermelho (apesar de estar tão entediado com metade desses personagens reciclando seus arcos que aceitaria de bom grado), algumas mortes do grupo principal teriam feito maravilhas para aumentar a tensão na luta final. Em vez disso, temos… Kali.

Se você achou a terceira temporada ruim, a quinta abre uma caixa de Pandora completamente nova. Partindo do princípio de que Onze ainda está viva, o que acontece quando ela se irrita e usa seus poderes sem querer? O que acontece quando os militares a cercarem e começarem a usá-la novamente em novos experimentos? Será que estão nos levando a crer que os militares não tentarão encontrar um caminho para o Abismo novamente, considerando os planos meticulosamente elaborados que deixaram para a Dra. Kay sem fazer nada, ou seja os militares simplesmente aceitam a derrota e vão embora?

Embora eu entenda que essa possa ser apenas a maneira de Mike contextualizar o que aconteceu com ela, ela pode não estar morta. Os irmãos Duffer deixaram isso intencionalmente em aberto para interpretação, com medo de chatear as pessoas.

Eu poderia continuar, mas, no fim das contas, Stranger Things termina de uma forma um pouco frustrante, decepcionante e vazia. Não é o pior final de série de todos os tempos (Game of Thrones esta ai)? Mas certamente não agardaou a todos os fãs, que certamente esperavam mais.

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