Stranger Things 5ª Temporada Episódio 5: Will Byers no centro do caos e os limites da narrativa da série
Uma virada sombria em Stranger Things coloca Will como peça-chave contra Vecna
O quinto episódio da quinta temporada de Stranger Things, disponível na Netflix, chega com a missão de acelerar a história após os acontecimentos explosivos do capítulo anterior. Depois de um mês de pausa desde os quatro primeiros episódios, a série retorna apostando alto em tensão, revelações e conexões emocionais, mas também expõe fragilidades que acompanham a produção há algum tempo. Este episódio se destaca principalmente por colocar Will Byers no centro do conflito, redefinindo seu papel na guerra contra Vecna, enquanto evidencia problemas estruturais do roteiro e do excesso de personagens.
Logo nos primeiros minutos, somos levados de volta ao complexo militar destruído, cenário do confronto em que Will usou uma força até então desconhecida para aniquilar diversos Demogorgons. O alívio inicial rapidamente dá lugar ao desespero quando ele percebe que Vecna ainda detém as doze crianças, mantendo o controle da situação. A atmosfera é de urgência, com helicópteros sobrevoando Hawkins e o grupo se refugiando nos túneis subterrâneos, reforçando a sensação de que não há mais lugares seguros.
Os novos poderes de Will e a ligação direta com Vecna
Will não é Eleven, e isso muda tudo
Um dos pontos mais interessantes do episódio está na explicação sobre as habilidades de Will. Diferente de Eleven ou Kali, ele não possui poderes ativos o tempo todo. Sua condição é apresentada quase como um “canal vivo”, alguém capaz de absorver e redirecionar a energia de Vecna quando está próximo da mente coletiva do Mundo Invertido. A comparação implícita com a Vampira dos X-Men ajuda o público a compreender rapidamente essa dinâmica, trazendo uma camada conceitual nova para a mitologia da série.
Joyce, mais uma vez exercendo seu papel de voz emocional e racional do grupo, levanta uma questão crucial: seria possível usar o próprio poder de Vecna contra ele? Essa dúvida não apenas move a trama, como também aponta para o caminho que a série parece querer seguir nos episódios finais, apostando menos em força bruta e mais em conexões mentais e emocionais.
Enquanto isso, Lucas reaparece após um ataque que ocorreu fora de cena, ileso, o que reforça uma crítica recorrente dos fãs: Stranger Things continua relutante em impor consequências reais aos seus personagens centrais. Ainda assim, o grupo segue adiante, explorando os túneis e aprofundando a compreensão sobre o funcionamento dessa nova habilidade de Will.
O “mundo da luz” e a manipulação de Henry
No núcleo das crianças capturadas, acompanhamos Derek, Holly e os outros despertando no mundo criado por Vecna, onde Henry revela sua visão distorcida de salvação. Ele descreve uma escuridão que se espalha pelo universo e apresenta um suposto mundo perfeito, livre de monstros, que chama de “a luz”. A proposta de Henry é sedutora: unir os dois mundos para eliminar a escuridão de uma vez por todas.
Esse discurso, embora envolvente, deixa claro o quanto Vecna continua sendo um vilão que se vê como herói da própria história. A tentativa de fuga de Holly e a decisão de usar Derek como isca demonstram maturidade narrativa nas crianças, especialmente em Max, que assume uma postura estratégica e emocionalmente forte. A ideia de seguir as memórias de Holly até o momento de sua captura cria uma lógica interna interessante e reforça o peso das lembranças como elemento-chave da série.
Tramas paralelas: Eleven, Hopper e os erros do excesso de personagens
Kali retorna, mas sem o impacto esperado
Do outro lado da história, a trama envolvendo Eleven, Hopper e Kali infelizmente confirma uma das maiores fragilidades do episódio. A revelação de que a Número 8 era apenas uma miragem e que Kali está viva e a caminho do Mundo Invertido até gera curiosidade, mas o desenvolvimento é apressado e carece de impacto emocional.
O relato de Kali sobre as experiências do governo, que envolvem a tentativa de recriar os poderes do laboratório de Hawkins por meio de experimentos em fetos, é perturbador e cheio de potencial dramático. Ainda assim, a narrativa parece mais interessada em preparar o terreno para capturar Eleven do que em explorar as consequências éticas e emocionais dessas revelações.
Hopper, mais uma vez, assume o arquétipo do pai disposto ao sacrifício, disposto a morrer se isso significar salvar Eleven. O problema é que esse arco já foi explorado diversas vezes, diminuindo o impacto dramático. Eleven, por sua vez, tenta romper esse ciclo ao propor a união de seus poderes com os de Kali para enfrentar Vecna diretamente, uma ideia promissora que ainda precisa de melhor desenvolvimento.
Dustin, Steve e o laboratório de Hawkins
Enquanto isso, Dustin, Steve e o restante do grupo avançam rumo ao laboratório de Hawkins com a teoria de que existe um gerador de escudo capaz de manter as crianças presas no Mundo Invertido. A divisão do grupo é previsível, mas funcional, permitindo conflitos pessoais e descobertas importantes.
A discussão entre Dustin e Steve funciona bem ao abordar amadurecimento, admiração e ressentimento, mas escancara uma falha de continuidade: a ausência total de qualquer menção à Suzie. Um simples comentário teria sido suficiente para manter a coerência emocional do personagem, e essa omissão reforça a sensação de descuido no roteiro.
A descoberta do diário de Brenner, no entanto, é um acerto. O objeto carrega peso simbólico e narrativo, sugerindo que respostas importantes ainda estão escondidas no passado do laboratório e que podem ser decisivas no confronto final.
O clímax do episódio e um gancho perigoso para o futuro
Will enfrenta Vecna, e o erro de Nancy muda tudo
O terceiro ato do episódio é onde Stranger Things recupera parte de sua força. De volta a Hawkins, o grupo se reúne na loja de rádio, com Murray e Robin sobrevivendo a mais um ataque improvável. A ideia de usar o cadáver de um Demogorgon como condutor para ativar os poderes de Will é criativa e visualmente impactante, além de reforçar o caráter improvisado da resistência contra Vecna.
Quando Will finalmente se conecta à mente coletiva, o episódio atinge seu momento mais tenso. Ele consegue atrasar Vecna e salvar Max, assumindo temporariamente o controle do corpo de Henry. É uma cena poderosa, que reposiciona Will como uma das figuras mais importantes da temporada. No entanto, a resistência de Vecna e o ataque direto contra Will deixam claro que essa vantagem pode ser temporária.
O gancho final é cruel e eficiente. Nancy e Jonathan encontram o gerador de escudo, mas a interferência no rádio impede que ouçam o aviso desesperado de Dustin. O disparo de Nancy contra a energia do escudo encerra o episódio em um momento de pura ansiedade, sugerindo consequências graves para todos os envolvidos.
Conclusão: bons conceitos, velhos problemas
O quinto episódio da quinta temporada de Stranger Things apresenta ideias interessantes, especialmente ao redefinir o papel de Will e aprofundar a mitologia da mente coletiva. No entanto, a série continua tropeçando em problemas antigos: personagens demais, arcos repetitivos e uma dificuldade evidente em impor riscos reais aos protagonistas.
Ainda assim, o episódio cumpre bem a função de preparar o terreno para o caos que se aproxima. Com Vecna cada vez mais próximo de seus objetivos e erros sendo cometidos em momentos cruciais, a expectativa é que os próximos capítulos finalmente entreguem consequências à altura das ameaças apresentadas. Stranger Things segue envolvente, mas precisa urgentemente decidir até onde está disposta a ir para manter sua relevância narrativa.
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